No início de março deste ano, dei uma fugidinha da rotina de esposa e mãe em Cascais e fui ser turista em Londres para recarregar as enegias e me reconectar comigo mesmo. A ideia inicial era ficar os 4 dias sozinha na cidade (de sábado a terça), mas uma amiga querida quis se juntar a mim no segundo dia de viagem e aproveitamos a cidade por 2 dias inteirinhos. Foi uma bela viagem!
Se você continuar lendo, vai perceber que não foquei em conhecer o máximo de atrações possíveis, que é o que normalmente faço quando viajo, e isso é porque não foi a minha primeira vez por lá. Nos 4 anos que moramos em Dublin, visitamos a cidade algumas vezes pois a prima do Celo vivia em Weybridge, e sempre que íamos, conhecíamos um pouquinho de Londres, mas nunca chegamos a dormir por lá. Dessa vez eu dormi 3 noites e fui em lugares que ainda não conhecia, como o Covent Garden, British Museum e Notting Hill, e fiz questão de assistir o musical Fantasma da Ópera. Foi diferente viajar sem fazer tanto turismo assim, mas sinceramente era o que eu precisava. 🙂
Hospedagem
Comprei as passagens em uma promoção da Ryanair e quando fui procurar hoteis, dei uma desanimada com os preços. Não sou de gastar muito em hospedagem, pois fico tão pouco tempo no quarto que nem acho que compensa, então comecei a procurar albergues. Celo logo disse que não fazia sentido e que queria que eu tivesse privacidade, mas algo me dizia que eu precisava insistir em não ficar em um hotel com diária de 100 libras a noite. Acabei encontrando no Hostel World um hotel cápsula super bem localizado que oferece privacidade para os hóspedes pois cada um tem a sua caixa onde dorme e guarda as suas coisas, mas a caixa está em um quarto com outras caixas e o banheiro é compartilhado. Achei o conceito interessantíssimo e quando vi que diária era 40 libras em um andar apenas para mulheres e que a localização era na Picaddilly Circus, exatamente onde eu queria ficar, senti que era um sinal. Que empolgação que deu!
O hotel é o Zedwell Capsule e agora veja as fotos:




Mais detalhes:
- Esqueci de tirar fotos do banheiro, mas pense em um banheiro com muitas cabines para vaso sanitário e alguns chuveiros com porta e espaço para colocar as coisas dentro, como se fosse em albergue. A única coisa chata é que o chuveiro só funciona se você apertar o botão a cada 15 segundos, mas por sorte eu encontrei um chuveiro no segundo dia que tinha problema no botão e só precisei apertar uma vez e ele ficou ligado durante todo o meu banho. É claro que fiz questão de usá-lo nos outros dias…rs. Ah, felizmente achei a temperatura da água uma delícia, mas se eu quisesse mais quente ou mais fria, não poderia trocar.
- Uma coisa que achei legal é que para entrar no andar das meninas, você precisa usar o seu cartão chave. Isso dá uma segurança, além das câmeras espalhadas pelo andar, e para entrar no banheiro ou no seu quarto, você também precisa usar o cartão. Achei o esquema bem bom para mulheres que estão viajando sozinhas, querem economizar e querem estar em uma boa localização. Não sei se os andares mistos também são assim, mas imagino que sim. Ah, paguei 3 libras a mais para ficar no andar só de mulheres.
- O hotel é apenas para dormir. Não tem refeições e nem área de convivência.
- Os elevadores são bem demorados, mas felizmente o meu quarto ficava no primeiro andar e eu podia subir e descer rapidamente pela escada.
- Achei as mulheres do meu quarto e banheiro super educadas e silenciosas. Não tenho nada a reportar de estranho.
- Na hora do checkin, o hotel te manda uma mensagem no whatsapp com o número da sua cápsula e você pode trocar mensagens por ali se precisar de qualquer coisa. Eu usei o chat quando não consegui trancar a minha porta da cápsula.
- Leve seu cadeado para trancar a porta da cápsula quando sair do hotel. Assim suas coisas podem ficar seguras ali dentro. Acho que existem lockers também no quarto ou no andar, mas não cheguei a vê-los. Como fui só de mochila, deixei dentro da cápsula durante todo o tempo e não tive problemas.
- Quando a gente vai dormir, não tem como trancar a cápsula por dentro. Acho que é por questão de segurança em caso de incêndios ou qualquer emergência, não tenho certeza. Mas todas as noites eu dormi com a porta fechada e foi tranquilo.
- A cápsula é pequena mas muito confortável. Dava para ficar sentada no colchão e a minha cabeça não encostava no teto. Tinha tomadas, luz e um ventiladorzinho dentro, então achei bem aconchegante. Para quem já dormiu em barraca de camping, a experiência é parecida, mas mais confortável.
Voo de ida com surpresa
Saí de casa no sábado pela manhã com a minha mochila nas costas e uma sensação de liberdade que há muito tempo eu não sentia. As crianças estavam dormindo e o marido acordou rapidamente para se despedir e eu parti animadíssima com o meu uber para o aeroporto. Passei pela segurança, comprei um lanche de café da manhã e quando deu a minha hora de embarcar, lá estava eu na fila sem me preocupar com ninguém além de mim. Quando entrei na aeronave e sentei na cadeira 2B, me dei conta que a Ygritte de Game of Thrones estava sentada na minha frente e era simplesmente maravilhosa! Para quem não sabe, eu sou uma grande fã de GOT e sempre torci muito por ela e o Jon Snow, então obviamente passei as 2h de vôo dando pulinhos internos por estar tão perto de uma estrela de Hollywood. Cogitei pedir uma foto com ela, mas como ninguém o fez, achei que seria sem noção demais. Pelo menos tirei uma foto dela quando saiu do banheiro e bateu papo com o comissário, que claramente era seu fã e a elogiou até ela ficar roxa de vergonha, coitada. Quando o avião pousou, nos levantamos para sair e ela carinhosamente pediu para eu pegar a mala dela que estava no compartimento superior bem na minha direção. Quase morri quando ela falou comigo!!! Jamais vou esquecer isso! Que sorte a minha! 🙂

Mais um sinal lá de cima
Para provar que essa viagem era especial mesmo, Deus colocou mais uma coisa em meu caminho: meu irmão fez uma escala em Londres antes de ir para Singapura a trabalho e deu tempo de encontrá-lo por meia hora no restaurante onde estava almoçando com seus chefes. Matamos um pouquinho a saudade e como o restaurante era ao lado do meu hotel, fui andando para ele quando o meu irmão seguiu para o aeroporto. A vida é boa demais, gente!
Roteiro
Dia 1 – sábado (7/3/2026)
Pousei em Stansted por volta das 12h e depois de andar um bocado, passei pela segurança. Tive que apresentar o meu ETA (Autorização Eletrônica de Viagem) – que fiz alguns dias antes no site oficial https://www.gov.uk/eta – e falar os planos da viagem para o oficial e quando fui liberada, segui as placas para pegar o trem para o centro de Londres (Stansted Express). Comprei o ticket na máquina por cerca de 23 libras e em poucos minutos o trem chegou na plataforma. Encontrei um lugar vazio e depois de 50 minutos, cheguei na estação de Liverpool Street, que é linda, olha:




Ali dentro segui as placas para o metrô e depois de alguns minutos, percebi que não precisava comprar o ticket em máquina e sim apenas aproximar meu cartão de crédito na catraca para poder passar. Lembro-me que das outras vezes que eu fui a Londres com o Celo, nós tínhamos o cartão Oyster, mas felizmente eles eliminaram isso e agora ficou mais prático.
Segui as placas para a Central Line (vermelha) que me levaria até a Oxford Circus, e depois troquei de metrô para a linha Bakerloo para descer na Piccaddily Circus. Se você tiver dificuldade em pegar metrô em Londres, tem alguns aplicativos que ajudam, mas a minha amiga indicou o CityMapper. Eu usei o Google Maps e o Chatgpt para me guiar e funcionou super bem.
Andei para o restaurante onde meu irmão estava, bati papo por uns 30 minutos e depois segui para meu hotel, que ficava super localizado na rua principal. Fiz o check-in sem problemas e quando subi no meu andar com seus vários quartos escuros com cápsulas, senti um friozinho na barriga de experimentar algo novo. Você já sentiu isso? Eu já senti por diversas vezes, por exemplo quando acampei no deserto, quando mochilei sozinha em 2011, quando voei de balão, quando fui fazer intercâmbio nos EUA com 17 anos…enfim. Acho tão interessante como reagimos a experências novas e eu acho que eu estava precisando sentir isso! Fui encontrar a minha cápsula e AMEI o que vi. Que quarto aconchegante e que cápsula espaçosa! Eu acho que fui com expectativas baixas e por isso me encantei. O problema é que na hora de trancar a cápsula com minhas coisas dentro para poder ir passear na cidade, eu não conseguia fechar a porta e tive que descer na recepção para pedir ajuda. Depois de algum tempo, um senhor da manutenção veio até a minha cápsula comigo e mostrou que eu estava fazendo errado e que não havia nada de errado com a porta.
Depois de me arrumar e trancar as minhas coisas, saí para passear por Londres sem muito rumo. A única coisa que eu tinha reservado para esta viagem foi o musical do Fantasma da Ópera, que seria neste dia às 19h, e um jantar com uma amiga que eu não via há muito tempo na segunda a noite. O resto estava em aberto! É bom de vez em quanto não planejar nada e seguir o nosso feeling, né? Era o que eu precisava.
Saí andando para a região do Covent Garden, pois queria visitar o mercado homônimo, e adorei o que vi. Ruas repletas de prédio lindinhos, lojas bem decoradas, restaurantes transadinhos, vários artistas de rua, e o melhor, pessoas educadas por todos os lados. Me senti novamente em Dublin. Que saudade que deu!









Passeei pelo mercado e depois decidi entrar no Royal Ballet and Opera para confirmar se não tinha mesmo nada para eu assistir por esses dias. Eu já tinha visto no aplicativo TodayTix que Gisele estava esgotado, mas vai que eles tivessem ingressos para vender no local, né… tenho sempre esperança. Não tinham, mas me indicaram subir para o bar para ver a vista do mercado de cima, e achei bem legal.


Passeei depois por Chinatown e depois segui para comer no Five Guys perto do meu hotel. Nada como um bom hamburguer antes de me arrumar para um musical. Sou mesmo muito eclética! kkk




Dali segui para o hotel, onde tomei banho e me arrumei para ver o Fantasma da Ópera, cujo ingresso havia comprado pelo app do TixToday ainda em Portugal. O teatro His Majesty’s Theater ficava a 5 minutos a pé do meu hotel, então saí perto da hora indicada no bilhete e depois de subir algumas escadas, lá estava sentada esperando o musical começar. Foi simplesmente maravilhoso! Tudo o que eu esperava e um pouco mais. As músicas são lindíssimas e é impossível não se emocionar com a orquestra.








Saí de lá nas nuvens e fui dormir pela primeira vez na minha cápsula. Adorei!
Dia 2 – domingo (8/3/2026)
Acordei sem pressa, me arrumei e saí para tomar café no Kozzee, que estava muito bem recomendado. Pedi um English Breakfast delicioso e obviamente nem precisei almoçar depois 🙂





Andei para o British Museum, passando pelo Soho Square Gardens e depois pelo Neal’s Yard, e curti bastante aquela vizinhança.






Quando cheguei no museu, comprei o aplicativo para fazer o tour por conta própria. Fiquei 3h lá dentro visitando as coisas mais importantes indicadas no aplicativo e saí de lá mortinha da silva. Adorei as cerâmicas da China, as múmias do Egito e a famosa Rosetta Stone. Ela foi fundamental para a compreensão do Egito Antigo, pois permitiu decifrar os hieróglifos. Descoberta em 1799, contém o mesmo texto em três escritas diferentes, o que ajudou Jean-François Champollion a interpretar essa linguagem.














Voltei para o hotel para me arrumar e descansar um pouco, e no final da tarde encontrei a minha amiga Laura no seu hotel ali perto. Fomos no pub irlandês O’Neills e enquanto conversávamos, decidimos comprar ingresso para assistir a um show de stand-up comedy ali perto em um lugar chamado The Comedy Store. Foi uma decisão acertada, porque os comediantes eram muito bons! Não me lembro o nome do show e muito menos dos comediantes, mas era um esquema de improviso com a plateia e a gente deu muita risada. Claro que eu não consegui entender 100% todas as piadas, mas ainda assim valeu muito a pena! Saímos de lá felizes e fomos procurar um lugar animado para dançar. Para nossa surpresa, Londres nos domingos é praticamente silenciosa! Encontramos um lugar com DJ, o Bar Soho, e nos divertimos até quase fecharem as portas.






Voltamos a pé para nossos hoteis e no caminho passamos numa loja da Marks and Spencer para comprar lanchinhos para o quarto. Dia intenso!
Dia 3 – segunda-feira (9/3/2026)
Acordei com calma, tomei banho, li bastante meu livro e descansei um pouco antes de encontrar a Lau para tomar café da manhã. Tentamos ir no Breakfast Club, mas a fila estava enorme, então acabamos indo no Toi & Moi Café, com uma decoração fofa, ótimo atendimento e comida deliciosa.



Depois andamos até o Escape Hunt na Oxford Street e fizemos o desafio de Escape Room dos Piratas, que foi muito legal. Eu nunca tinha feito isso, mas a Lau já, então ela me explicou e me guiou e conseguimos juntas desvendar o mistério antes do tempo terminar. Achei um barato e quero fazer novamente em Lisboa.


Pegamos o metrô para Notting Hill pois eu queria conhecer o bairro do filme homônimo e a livraria famosa do Hugh Grant no filme. Andamos pelas lindas ruas apreciando aquelas casas e apartamentos de milhões de libras, e quando chegamos no endereço da livraria, vimos uma loja de souvenir. Que decepção! Eu podia ter pesquisado melhor também, enfim… Passeamos no Portobello Road Market, vimos as casinhas coloridas, paramos no pub The Castle para beber algo e depois comemos uns salgados deliciosos no Greggs, que a Lau recomendou. Foi uma bela surpresa!


















No caminho de volta para o hotel, passamos no Cocomelt porque fiquei com vontade de provar o cookie deles e estava uma delícia! Fomos descansar um pouco e nos arrumar para sair novamente mais tarde para jantar com a minha amiga Carine.
Fomos no Kanada-Ya e foi um jantar maravilhoso colocando o papo em dia. Trabalhamos 1 ano juntas no Rio de Janeiro em uma empresa de energia e não nos víamos desde 2014. Foi bom demais matar a saudade! A Ca voltou para casa e eu e a Lau fomos para o O’Neills novamente pois sabíamos que teria música ao vivo lá. Tivemos uma noite animadíssima com muitas músicas conhecidas e fomos depois a pé para nossos hoteis. Nada como estar hospedado em um lugar bom nessas horas!







Dia 4 – terça-feira (10/3/2026)
Acordei sem pressa, tomei banho, arrumei as coisas para fazer o check-out e descei para a recepção para entregar o cartão chave. Zero stress. Deixei minha mochila no quarto do hotel da Lau pois ela tinha pedido para fazer late check-out e fomos bater perna!
Comemos uma coisa rápida numa lanchonete perto do hotel e pegamos o metrô para a loja tradicional Harrods, pois a Lau disse que eu precisava conhecê-la Que loja linda (e chique e cara! rs) Adorei as escadas e a sessão de comidas, mas não ficamos muito tempo por lá não.










Aproveitamos que o tempo estava bom e fomos andando até o Hyde Park, onde paramos para comer uma pizza deliciosa no restaurante com vista para o lago, o Serpentine Bar & Kitchen.




Voltamos para a região do hotel dela e decidimos jogar 20 libras em um casino que tinha ali perto com uma placa enorme de Paddy. Achei que era um sinal…. Acabou que eu não tive muita sorte na roleta, mas felizmente ela teve, e saímos de lá felizes com o resultado para pegarmos o trem para o aeroporto Stansted.



Lá no aeroporto jantamos num restaurante italiano gostoso e fechamos a viagem com chave de ouro. Foi a primeira vez que viajei apenas com uma amiga e simplesmente adorei! Tive tempo para ficar sozinha e pensar na vida, mas foi bom demais tê-la comigo para as aventuras por Londres. Obrigada, amada!





