Antes de chegar ao Deserto do Atacama…

Terça (07/06/2011)

Depois de 13 horas de ônibus desde Pucón, cheguei à rodoviária de Santiago por volta de meia noite. Peguei um taxi até o aeroporto e confesso que fiquei p da vida de gastar mais nele do que na passagem de ônibus Pucón–Santiago.  Vida que segue…

1°dia – quarta (08/06/2011)

Cheguei ao aeroporto de Santiago e logo procurei um locker para deixar o meu mochilão de quase 20kg. Passeei um pouco, visitando as poucas lojas e restaurantes abertos de madrugada e logo decidi deitar em um banco com vários mochileiros e só acordei para fazer meu checkin por volta das 4h da manhã. Depois do checkin feito, voltei para o meu banco para dormir mais um pouco e só acordei perto da hora de embarque, às 07h.

Peguei o vôo para Cálama com a empresa LAN Chile e achei tudo excelente. Pontuais, educados, comidinha boa, muito confortável. A vista da Cordilheira dos Andes é incrível, assim como a chegada à região desértica, então foi impossível dormir durante o vôo, que é bem curto.

Depois das 2 horas de vôo, cheguei à Cálama. Que breu de lugar… O aeroporto é uma pista e um mini prédio…muito, muito pequeno. Me senti no fim do mundo quando desci do avião.

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Peguei um transfer somente até a rodoviária da cidade e de lá peguei um ônibus até a famosa San Pedro do Atacamaque demorou cerca de 2 horas. Até existem transfers que levam direto do aeroporto para SPA, mas eu quis economizar um pouco. (OBS: Lá na hora tem várias opções de transfers com o mesmo preço, então não se preocupe em agendar com antecedência).

Cheguei em San Pedro e logo fui em busca do meu albergue, que fica muito bem localizado por sinal. Fiquei impressionada com a cidade…ela é toda de terra e as casas são feitas com materiais diferentes e são bem simples, bem rústicas. Estava quente, claro, afinal é no meio do deserto, mas nada que superasse os 40° do verão no Rio de Janeiro, então tirei de letra. Passei em um mercadinho para comprar uns snacks e água e quase caí para trás com os preços. É tudo muito caro se comparado ao resto do Chile. Papo de uma água de 2 litros custar quase 7 reais…punk.

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Cheguei ao albergue e tive uma baita surpresa: o meu quarto tinha 2 treliches enormes, ficando a terceira cama a uns 4 metros de altura. Tratei logo de pegar a cama do meio, porque as de baixo já estavam ocupadas. Como a cidade é toda de terra, é fato que nosso chão do quarto também estava bem sujo também, então foi bem triste colocar minha mochilona tão querida ali, já que não tinha nenhum locker. As paredes tinham vários buracos também, então não tive como não pensar em vários bichinhos escondidos ali..hahahha. Olha:

Enfim, o aspecto do lugar é ruim, você se sente passando perrengue, abandonado, mas depois essa sensação passa. Peguei minhas coisas e fui logo para o banheiro tomar banho, afinal meu último banho tinha sido há umas 30 horas (um horror, eu sei). Olha a placa que vi quando cheguei ao box (BANHOS DE NO MÁXIMO 3 MINUTOS!!!) :

Obedeci e tomei um banho rápido, mas pelo menos quente. Apesar de fazer um calor do cão durante o dia, eu gosto de tomar banho quente ou morno…Go figure. rs Depois do banho, falei com a moça da recepção para saber quais os melhores passeios e respectivos horários e ela ficou um bom tempo me explicando. São muitas opções! Sério, tem coisa para fazer por uma semana lá. Preciso voltar, porque tive que deixar de lado alguns passeios bem legais…

Como já era quase meio dia, só deu para agendar para aquele dia o passeio do Valle da Luna e Valle de la Muerte. O passeio todo durou umas 4 horas, com direito a várias paradas pelo meio do caminho e um pôr do sol alucinante!! Ah, eu fiz o passeio de van, mas dá para fazer de bike também. A nossa primeira parada foi no Valle de la Muerte, que fica bem pertinho da cidade. Olha que visual legal:

Depois seguimos e paramos no que eles chamam de 3 Marias, que é uma espécie de escultura de terra. Eu não consegui visualizar nem 1 Maria, quanto mais 3…usem a imaginação aí:

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Continuamos na van por mais alguns quilômetros até chegarmos ao Valle de La Luna. Tivemos que subir uma montanha para ver o pôr do sol lá de cima, que é breathtaking. Valeu MUITO a pena!

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Depois que o sol se pôs, voltamos para a cidade e fui jantar em um restaurante recomendado pelo albergue (não lembro o nome), com uma amiga que fiz no passeio. Comi um espaguei maravilhoso e voltei para o albergue para dormir cedo para o tour do dia seguinte. Descobri que banho quente só rola durante o dia…a noite, nem pensar. Como estava um frio do cão, tive que dormir relativamente suja, porque meu banho tinha sido antes do passeio. Ao deitar na cama, me dei conta que dois homens das camas de baixa estavam RONCANDO muito alto e o jeito foi recorrer ao iPod.  Dido me ninou muito bem…rs.

2°dia – quinta (09/06/2011)

Acordei relativamente cedo para poder tomar banho quente e tomar o café da manhã, servido ao ar livre dentro do albergue. Que frio absurdo…devia estar uns 5 graus! Comi tudo o que tinha (ou seja, quase nada, rs) e depois atravessei a rua para comprar mais snacks para o tour do Salar do Tara, que duraria o dia todo. Às 8h em ponto, um carro 4×4 chegou para me buscar.

Começamos a pegar a estrada e a cada parada para fotos, sofríamos com o frio que estava fazendo, mas eu acho que a beleza compensava. SPA fica a uns 2500 metros acima do nível do mar e estávamos indo para um lugar que fica a quase 5000 metros, então é fato que a temperatura ia cair. Algumas paradas foram bem rápidas, apenas para registrar o momento, outras um pouco mais demoradas.

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Esta estrada é a mesma que as pessoas pegam para ir para a Bolívia, normalmente para visitar o Salar de Uyuni. Tem um visual lindo demais, com vários salares e vulcões. Tudo bem diferente do que já vi … adorei o passeio, até porque os outros turistas do carro eram bem animados e fomos escutando músicas ótimas (RHCP, Tiesto…), então o dia passou super rápido.

Depois de muito chão, finalmente chegamos ao Salar de Tara. Que lugar irado! Várias formações rochosas enormes e diferentes, antes do Salar itself. É difícil descrever…melhor mostrar as fotos:

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Depois saimos das formações rochosas e fomos andando até o Salar itself.

Depois de passearmos bastante pela região, fomos almoçar em uma casinha isolada, que nem posso chamar de restaurante. A comida já estava pronta dentro do carro e só aproveitamos para pegar uma sombrinha e sentarmos um pouco. Não sei se era porque eu estava muito animada, mas achei a comida maravilhosa…rs.

Depois voltamos para o carro e pegamos nosso caminho de volta para a cidade. Fizemos muito rally, o que foi muito, muito legal! Ai de nós se não estivéssemos com um carro 4×4.  Achei bem interessante o fato que os carros vão e voltam todos no mesmo horário, porque se tiverem algum problema, podem contar com os outros colegas. Imagina ter um problema e ficar preso por lá, há horas de distância da cidade…perrengue total.

Ao chegar na cidade, saí para jantar com pessoal do tour e comemos uma pizza maravilhosa, mas de novo, não lembro o nome do restaurante (sorry !). Voltei para o albergue exausta e chapei na cama, pensando no tour do dia seguinte.

3°dia – quinta (10/06/2011)

Acordei cedinho de novo, tomei banho, café da manhã e fiquei esperando o pessoal do tour do Salar de Atacama e Lagunas Altiplânicas. Eles não foram tão pontuais que nem as outras duas empresas – acabaram atrasando quase 30 minutos e eu fiquei em pânico achando que tinham me esquecido. Enfim.. Saímos de SPA por volta da 9h e pegamos a estrada em direção ao Salar de Atacama. No meio do caminho paramos em um lugar chamado Toconao para ver um oasis de verdade. Olha só:

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Seguimos a estrada e logo chegamos no Salar de Atacama, que é enormeeee!! Tem uma trilha bem grande por ele para não pisarmos no próprio salar, então dá para passear bastante e tirar fotos bem legais. Passeando pela trilha, me deparei com uma raposa fofa, olha:

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Assistimos a um vídeo explicativo do Salar e depois lanchamos e bebemos muitos líquidos. Importante: leve muita água! Eles indicam uma garrafa de 2l por dia de passeio. E acho que eu até beberia um pouco mais…

Depois do Salar seguimos paras as Lagunas Miscanti y Miñiques, que são absurdamente lindas! O reflexo das montanhas na água deixa a paisagem ainda mais especial…

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Eles fizeram uma trilha ao redor das lagunas e pedem para respeitarmos o caminho e para que ninguém entre na água. Assim, aquele paraíso fica intacto. Superou minhas expectativas!!! Recomendo.

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Ficamos um tempo andando por elas e apreciando o visual, até que voltamos para o ônibus em direção a San Pedro. Cheguei ao albergue e fui direto tomar banho, porque ainda tinha água quente. Saí para tomar Pisco e jantar com o guia e uns amigos do albergue. Que noite agradável =)  Voltei cedo para o albergue, porque às 4h da madrugada minha van para o passeio dos Geysers del Tatio iria passar para me buscar.

4°dia – sexta (11/06/2011)

Já dormi com todas as roupas possíveis para acordar às 4h da manhã e só ter que escovar os dentes e andar até a van. Que decisão sábia! Um frio absurdo, um cansaço no corpo e uma molezaaaa só…Coloquei lanches e água na mochila e tratei de voltar a dormir quando sentei na van. A excursão sai assim bem cedo porque o lugar dos geysers fica um pouco distante da cidade. Acho que fica a umas 2 horas de viagem de carro, o que foi excelente, porque dormi que nem pedra. Chegamos no parque dos geysers e nos deparamos com um lugar bem cheio de visitantes. Vários ônibus, vans e carros comuns estavam estacionados na frente do parque.

Começamos a sair do ônibus e percebemos que a temperatura realmente era baixa! A sensação térmica era de – 20°… Menos vinte graus! Frio pra burro!!!  Foi muito ruim este choque térmico…. Começamos a andar pelas trilhas do parque para ver os mini geysers com água espirrando do chão …que parada louca!  O cheiro do lugar é um pouco estranho, confesso, mas a experiência de ver águas borbulhando por todos os lugares vale cada segundo fedido friorento.

A grande atração desse lugar é um geyser que espirra água muito alto com uma determinada frequência. Esse momento foi demais! Depois dele, fiz a besteira de me aquecer com uns vapores que estavam bem quentinhos, mas adivinha só?!  Logo depois de sair do vapor e encarar o frio, a água se condensou e passei muito, muito, muito frio! DON’T DO THIS.

Fiz a besteira de ir com tênis não impermeável, então quando saí do vapor quentinho, me dei conta que meu pé estava encharcado e com o vento frio passando, eu fiquei com o pé praticamente congelado. Pior sensação do mundo! Enquanto meu grupo tomava o café da manhã (leite e ovos quentes, aquecidos nos vapores dos geysers) no parque, olhando o visual, pedi para o guia abrir o ônibus para eu ficar lá dentro, aquecida. Como eu tremia… tomei café da manhã lá dentro e quando senti que estava me sentindo melhor, decidi sair para completar o passeio.

Continuamos andando pelas trilhas e visitamos piscinas aquecidas, com muitas pessoas tomando banho. Deu até vontade de entrar porque a água realmente era muito quente, mas só de pensar em tirar a roupa e ficar de biquini naquele frio, desanimei em 2 segundos. Fiquei andando pelas piscinas tirando fotos, aquecendo a mão e o corpo com o vapor, até que me dei conta de avisos bem sérios em determinados locais.  Algumas pessoas já morreram queimadas naquela região, porque ultrapassaram os limites das cercas que o parque construiu, caindo em águas muito, muito quentes. Fiquei bolada com esta informação…

Saímos do parque dos geysers e fomos para uma vilazinha onde é possível comer carne de llama! Sim, isso mesmo! Churrasquinho de carne de llama, aquele bicho horroroso, fedido e peludo famoso da América do Sul.  Apesar da fila enorme e do preço caro do churrasquinho, foi o MELHOR CHURRASQUINHO da minha vida! Valeu muito, muito a pena.

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Comi 2 inteiros e fiquei querendo mais depois que já estávamos no ônibus voltando para a cidade. Too late...

Cheguei na cidade e comecei a preparar as minhas coisas para fazer o checkout do meu hostel. Tomei meu último banho de 3 minutos, arrumei a mochila e fiquei a espera do meu transfer para a cidade de Cálama, agendado no próprio hostel. Enquanto ele não chegava, aproveitei para fazer compras na cidade de lembrancinhas fofas e caras.  Chegamos no aeroporto bem na hora do nosso checkin, mas o avião atrasou um pouco. Dormi que nem anjo nas duas horas de vôo, chegando em Santiago somente às 21h…

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