A Noruega não estava nos nossos planos de viagens para 2015 por causa do alto custo, mas foi só aparecer uma promoção da RyanAir para tudo mudar. Encontrei passagens Dublin – Oslo – Dublin para nós dois por 140 euros em pleno verão e peguei uma semana de agosto com feriado aqui em Dublin para aproveitarmos mais tempo por lá.

O plano inicial era alugarmos um motorhome e rodarmos todo o país sem pagar hospedagem, mas quando começamos a ver os preços dessas casas móveis, caímos para trás. Papo de 3 mil euros para menos de 10 dias viagem. 😦  Começamos a olhar os hotéis e como já esperávamos, tudo era bem caro para nossos padrões (acima de 100 euros). Bateu um desânimo na hora e um arrependimento de ter comprado as passagens, mas fomos salvos por blogs de gringos que contaram sobre as suas experiências acampando pelo país. Achei o máximo a ideia de viajar de carro com uma barraca na mala e ir parando conforme desse vontade, principalmente porque o camping livre é incentivado no país, então é segurança quase garantida.

Fui em busca de barracas e sacos de dormir para comprar aqui em Dublin e as opções mais baratas que encontrei foram na loja Dunnes: uma barraca ótima do tipo que monta em 2 segundos por 25 euros (recomendo para essas viagens pinga pinga) e dois sacos de dormir por 10 euros cada. Depois que percebi que por causa do diâmetro grande da barraca, não poderíamos levá-la na mão e teríamos que despachá-la por 60 euros. Ô raiva…rs.

Com o guia da Noruega em mãos e alguns sites e blogs gringos, começamos o processo de montar o roteiro da viagem. Só encontrei relatos de brasileiros que fizeram o trajeto Oslo – Bergen – Flam – Oslo, que é o que eles chamam de Norway in a Nutshell. Uma pena, porque o país inteiro é lindíssimo e com algum planejamento, dá para curtir muita coisa sem gastar muito. Enfim…

Depois de muita pesquisa, deu para perceber que o país é famoso pelos fiordes, pelas trilhas para as pedras PreikestolenKjeragbolten eTrolltunga com vistas lindíssimas, pelos glaciares, pela aurora boreal no inverno, pelo sol da meia noite lá no norte, pelas igrejas medievais de madeira (só existem na Noruega), pela cultura viking, pelos maiores túneis do mundo, ferries de excelente qualidade e por pontes por todos os lados. Com isto em mente, montamos um roteiro para englobar quase tudo que lemos (a trilha de 8 horas para a Trolltunga foi cortada desde o início), mas durante a viagem fizemos algumas mudanças e acabamos fazendo o seguinte:

Ficamos muito satisfeitos com o roteiro final, pois realmente vimos de tudo um pouco e fizemos tudo em nosso tempo, sem stress. Ter um chip com internet da Meteor ajudou e muito quando estávamos lá, então fica a dica para caso vá rodar pelo país de carro. Nós dirigimos por quase 1800 km, fazendo o roteiro abaixo:

noruega

tabela

PASSEIOS

  • A trilha da Preikestolen foi definitivamente o ponto mais top da viagem, porque foi onde ele fez o pedido de casamento mais lindo ❤ e onde aproveitamos a melhor vista de toda a nossa vida. São quase 8 km de trilha (ida e volta) com uma subida de 330 metros, o que dá cerca de 4 horas, mas nós passamos muito mais tempo que isso curtindo o visual de um dia ensolarado! É realmente incrível o visual lá em cima.
  • Nós passeamos de carro e ferry pelo maior fiorde do país, o Sognefjord e compramos um passeio de barco pelo mais estreito também, o NaeroyfjordenEu achei o passeio de barco uma furada, porque estava lotado de turistas (grupões orientais com muitas câmeras) e não deu para ter muita paz, mas não tem como negar que o visual é impressionante. É só relevar a turistada. 
  • Fizemos o passeio de trem pela Flamsbana, que é considerada uma das jornadas de trem mais bonitas do mundo, pegando o trajeto Flam – Myrdal – Flam. Apesar de termos feito no final de um dia um pouco nublado, deu para ver o porquê este trajeto é tão elogiado.
  • Fomos no maior glaciar da Europa continental, o Jostedalsbreenque tem cerca de 100 km de comprimento e 15 km de largura. Nós paramos o carro e fizemos um trilha até a sua base, mas dava para fazer um passeio dentro dele. Como já andamos em outros glaciares na vida, não fizemos questão de subir nesse também.
  • Visitamos a igreja de madeira (stavkyrkjeBorgund, que fica na cidade de Laerdal e foi construída em 1180. Ela é a igreja de madeira com menos modificações desde a época medieval e está muito bem conservada, graças a Deus. É lindíssima por dentro e por fora, principalmente por causa dos detalhes cravados na madeira.
  • Paramos na cidade de Bergen por algumas horas apenas e adoramos visitar a região de Bryggen (patrimônio da Unesco) com suas casinhas de madeiras bem tortas, e subir o funicular Floibannen para ver a vista da cidade.
  • Em Oslo, nós visitamos o parque Vigelandsparken, que é famoso por suas mais de 200 estátuas do artista norueguês Gustav Vigeland. Haja estátua! Visitamos também o museu Vikingskipshuset, que possui 3 barcos vikings originais perfeitos, além de muitas peças que foram encontradas dentro deles. Os barcos foram enterrados com pessoas importantes há mais de mil anos e só foram descobertos no século XIX. Ver tudo aquilo realmente faz você voltar ao tempo e usar a imaginação, mas saímos de lá preocupados: eles ainda não descobriram um jeito de preservar tudo o que está exposto, ou seja, é possível que boa parte das peças se desintegre em alguns anos. É uma corrida contra o tempo e eu sinceramente espero que eles encontrem uma solução.

ALIMENTAÇÃO

  • Optamos por comprar as nossas comidas nos supermercados, pois sabíamos que os preços dos restaurantes seriam salgados. Queríamos usar as cozinhas dos campings, mas descobrimos que quase todos elas só têm o fogão e a pia. Nada de panelas, pratos e talheres. Os campings assumem que cada um tem o seu material (e tem mesmo, com exceção da gente aqui) e quando eu perguntei o porquê, me explicaram que teriam que ter alguém para limpar/lavar o que as pessoas largassem, ou seja, teriam mais custo. O jeito foi comer muito sanduíche de queijo & presunto, fruta, sucos, sardinha em lata, torradinhas e chocolate. A sardinha e o chocolate foram os nossos favoritos!
  • Compramos muita água também para as viagens de carro, mas nos hoteis e albergue tomamos água da torneira mesmo (eles recomendam).
  • Comemos comida japonesa no restaurante Sushi San (nota 4.5 no TripAdvisor) na cidade de Stavanger e certamente foi uma das melhores refeições do tipo da nossa vida. Sabíamos da boa fama do salmão norueguês e foi ótimo sentir o peixe derretendo na boca, mas talvez este fator psicológico tenha afetado o nosso julgamento…
  • Em Bergen, provamos pela primeira vez o King Crab e nos apaixonamos: é agora a minha comida favorita, sem sombra de dúvida. A moqueca de camarão fica em segundo lugar, empatada com caranguejo de Prefeitinho (Bahia). 🙂
  • Apesar de eles terem carne de baleia, alce e rena como alguns pratos típicos, nós não chegamos a experimentar nenhum deles em restaurante. Só para não dizer que não comemos nada disso, o Celo pegou uma prova da carne de baleia em um mercado de Bergen e disse que era bem estranha (a cor dela crua era preta!!!). Passei longe!
  • Em Oslo, nós fomos em um restaurante indicado pelo cara do hotel e nós amamos o ambiente, o atendimento e a comida. Guarde o nome: Sudost. É um crossover de comida asiática em um ambiente bem transadinho. Lá mesmo nós provamos a bebida destilada típica da Noruega, Aquavit, que na minha opinião, podia ser um pouco mais fraca…rs
  • Comemos na rede de comida fast food norueguesa Max e não sei se é porque estávamos famintos, mas achamos os cheeseburguers deliciosos. Muito melhores que MC Donald’s ou Burguer King e para nossa felicidades, os preços eram ótimos.

HOSPEDAGEM

  • Das 8 noites que estávamos com carro rodando pelo país, nós dormimos 2 delas em hotéis/albergues que fechamos no meio do caminho, 2 dentro do carro em áreas calmas da estrada (eles recomendam!) e as outras 4 em campings com excelente estrutura.
  • Tanto o hotel quanto o albergue foram escolhidos na hora, com a ajuda do Booking. A gente pesquisou hoteis perto de onde estávamos, ordenamos por preço mais em conta e chegamos na recepção com o aplicativo aberto pedindo para cobrarem a mesma tarifa. Economizamos bem, pois as tarifas de balcão realmente eram mais caras!
  • Ficamos hospedado no Kronen Gaard Hotel na cidade de Sandnes, por 805 coroas norueguesas (90 euros) e até aproveitamos para jantar comida típica norueguesa no restaurante do hotel. O hotel é bem aconchegante e o café da manhã foi justo. (PS: Amei o chão do banheiro aquecido. Toda casa deveria ter isso!)
  • Ficamos no albergue da rede HI Hostel, o Ryfylke Vandrerhjem Vaulali, depois que descemos exaustos da trilha da Preikestolen. Pegamos um quarto apenas para nós com vista para o lago, por 900 coroas norueguesas (100 euros) e aproveitamos para cozinhar na super cozinha deles. (Nem precisamos lavar a louça, pois eles mesmos colocaram na máquina de lavar). Foi excelente para nós que estávamos cansados de comer sanduíche e não queríamos gastar fortunas em um restaurante. Ah, este preço foi com café da manhã bem farto!
  • Baixamos o aplicativo NorCamp, que mostra os campings espalhados pelo país, e conforme íamos cansando, a gente ia olhando onde dormir. Uma mão na roda!
  • Em Oslo, nós ficamos em um hotel relativamente perto da estação de trem central da cidade, com ótimo custo benefício, o Comfort Hotel Xpress Youngstorget. O hotel tem uma decoração irada, um terraço lá em cima com uma baita vista e o quarto é bem confortável. Tudo isso com atendimento 24h com funcionários jovens com boas dicas. Recomendamos!

NA ESTRADA

  • As estradas são de excelente qualidade e há pedágios por todos os lados, mas não existem cabines de pagamento. Os valores são contabilizados automaticamente em uma maquininha que fica presa no vidro dianteiro do carro, mas pelo que vimos, não eram muito caros não (máximo de 5 euros cada). Como ainda não vimos a conta final da viagem, não consigo dizer quanto foi tudo, mas imagino que tenha sido uma facada, porque rodamos mais de 1600 km, né…
  • Passamos por INÚMEROS túneis nesta viagem. Muitos, vários, diversos, um monte. Sério, perdemos a conta, mas acho que foram mais de 100. Nós fizemos questão de pegar o maior túnel rodoviário do mundo, o Laerdal Tunnel, com cerca de 24.5 km, que demorou 6 anos para ser construído por 130 pessoas, custando cerca de 125 milhões de euros. Até existem 3 áreas para descanso com muita luz, que nós nem utilizamos, mas é impossível o psicológico não ficar mexido (e olha que nem temos claustrofobia!). É muito tenso!
  • Além deste túnel, nós quisemos pegar o maior túnel rodoviário debaixo do mar, o Karmøytunnelen, com quase 9 km. Sentimos bastante pressão no ouvido e muita adrenalina ao cruzá-lo, mas nos acalmamos quando descobrimos que havia quase 50 metros de rocha separando o mar do nosso carro.
  • Nós pegamos vários ferries e todos eram muito confortáveis, com restaurantes e poltronas acolchoadas na parte superior. Compramos todos os ingressos na hora (na própria fila do carro ou lá em cima com um fiscal), sem nenhum stress. Não foram baratos, mas achamos que valeram a pena para descansarmos e curtirmos o visual dos fiordes sem grupos de turistas ao redor.
  • Cruzamos por muitas pontes também, uma mais impressionante que a outra. Algumas começavam e terminavam em túneis e tinham vistas incríveis, mas outras eram bem comuns também. Tem para todos os gostos.

Acho que já escrevi demais neste resumo (sorry), mas se quiser saber mais sobre cada lugar por onde passamos, dê uma olhada nos links no final deste post. Estão bem detalhadinhos, como sempre! ❤

Aqui vão algumas fotos dessa viagem maravilhosa:

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Quer saber mais sobre a nossa viagem de 10 pela Noruega? É só clicar nos links abaixo:

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